Eu queria distância da Nova Faria Lima
- olavomedeirosjr
- 11 de abr.
- 3 min de leitura
Eu queria distância da Nova Faria Lima
Durante muito tempo, essa frase fez sentido pra mim.
E é curioso, porque existe uma história minha ali. Uma ligação afetiva com a antiga Faria Lima — o Shopping Iguatemi foi o primeiro shopping que visitei na vida. Foi lá também que fui ao cinema pela primeira vez, para assistir festival Tom & Jerry.
Na adolescência, aquele território fazia parte da rotina: encontros com amigos, descobertas, idas à clássica Danceteria QG e até tardes no antigo shopping Call Center jogando fliperama (também pela primeira vez). E claro, as passagens pela loja de calçados London Fog (quem se lembra deles?)
Mas o tempo passou.A Faria Lima mudou — e eu também.
E, no meio dessa transformação, surgiu um certo distanciamento. Talvez até um incômodo com o que aquela região passou a representar: o ritmo acelerado, o universo corporativo, uma estética que, por muito tempo, não me interessava fotografar.
Por isso, durante anos, eu nunca me imaginei criando um roteiro por ali.
Até que a arquiteta e fotógrafa Luisa Prieto me apresentou a região com outro olhar, além dos "Faria Limers".
E foi aí que tudo começou a mudar.
Um novo olhar sobre o mesmo lugar
Logo no caminho para o percurso, as imagens começaram a aparecer.
Nas estações como a Estação Pinheiros e a Estação Cidade Jardim, encontrei uma narrativa visual potente: pessoas em movimento, quase como vultos, inseridas em uma engrenagem urbana e corporativa.
As fotografias que surgiram dali carregam, de certa forma, uma crítica — mas também uma tentativa de compreender esse ritmo.
Pela primeira vez, entrei no Parque do Povo (que já foi terreno de um antigo estacionamento) e me deparei com um skyline curioso: prédios espelhados que praticamente desaparecem no céu, criando uma paisagem que mistura presença e invisibilidade.
Mas foi o brutalismo do Condomínio Edifício São Luiz que realmente me impactou.
Ali existe um campo quase infinito de possibilidades fotográficas: do enquadramento rente ao chão até o olhar vertical, onde, não raramente, aviões cruzam a composição. Além disso, podemos refletir: será que os edifícios espelhados de hoje são melhores e mais bonitos do aquele clássico da arquitetura moderna dos anos 70? Na minha opinião não. Não troco o São Luiz por 10 dos espelhados, mas tem quem prefira os mais contemporâneos e por isso, eles são alguns dos mais caros da cidade e tem até quem mora e trabalha nessa estética (o que para mim parece uma loucura). Estou fazendo essas provocações porque o passeio serve também para esse olhar atento e crítico.
Contrastes que contam histórias
A Nova Faria Lima é feita de contrastes — e talvez seja isso que a torna interessante.
A “baleia” do Edifício B32, a casa bandeirista resistindo ao lado do Google, uma arvore centenária que obriga a mudança do percurso, grafites escondidos em um corredor improvável…
E o roteiro termina no imponente Solar Fábio Prado, onde tivemos contato com uma exposição de grafites de artistas como Os Gêmeos e Crânio — além de uma pausa no acolhedor Capim Santo.
Sem contar que o Solar guarda uma história de amor e preconceito social que poucos conhecem.
Foi nesse trajeto que voltei pra casa com as imagens que você vê neste post.
Um convite para olhar diferente
Essa experiência não ficou só comigo.
Ela se transformou em um novo roteiro.
📡 Tour Arquitetônico e Fotográfico | Nova Faria Lima | Com e Sem Espelhos
🗓 18.04
🕘 09h às 12h30
Um passeio pensado para quem quer revisitar e fotografar a cidade com outro olhar — mais atento, mais crítico e mais sensível às camadas que passam despercebidas no cotidiano.
Porque, às vezes, o lugar que a gente evita…é o que gera a provocação para você conhecer e registrar.
Bora olhar diferente e registrar o que se sente? 📡


































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